Guia Basica Del Comic

A proposta de um guia que ajudará o leitor, menos informado ou atento, é interessante. De facto, para esse tipo de leitor que vive entre dúvidas existenciais, valerá a pena? quem é este tipo?, ou é assaltado por questões mais pragmáticas, gasto dinheiro com isto?, talvez seja esta a solução mais indolor e rápida. Para esses, e também para os outros, aqui estão estas 207 páginas onde poderão encontrar biografias dos autores tidos como imprescindíveis, sejam eles contemporâneos ou não, as obras de referência de cada um deles e uma bibliografia recomendada. É claro que não se esqueceram de somar ao conjunto nomes de autores espanhóis, o que até ajuda para quem vai a uma livraria espanhola e não sabe muito bem o que comprar. Longe dos insuportáveis dicionários, tanto no preço como no peso, ou dos ambiciosos cânones, temos aqui um guia acessível e portátil, cumprindo um papel singular, o do amigo bem informado, prestável, simpático e nada chato, aquele em quem podemos confiar e por isso mesmo seguir os concelhos dele sem nos arrependermos. Comprem o livro e esqueçam os vossos amigos.

Guia Basica Del Comic
Eric Frattini y Óscar Palmer
Nuer Ediciones – 207 pp, PB

Texto publicado na revista Quadrado, Volume 3, Nº1, Janeiro de 2000.

O Manuscrito Durruti

A ideia maior dos autores de Impostores Intelectuais, tradução literal, é muito simples e estimulante: de que é feito o pensamento pós-moderno. A conclusão a que chegam Alan Sokal e Jean Bricmont, ambos professores universitários de física, um em Nova Iorque e o outro em Lovaine, é a de que o discurso pós-moderno é antes de tudo um jargão, ao serviço da ideologia e não da honestidade intelectual.
Continuar a ler O Manuscrito Durruti

A Aventura de Hergé

A figura e a obra de Hergé é de incontestável importância para a história da bd europeia e mundial. Qualquer autor terá pelo menos uma opinião sobre o estilo, as histórias e personagens que Hergé deixou como legado, seja qual for essa opinião, ela será favorável ou apaixonada. Por outro lado, são poucos aqueles que nunca leram as aventuras de Tintim, mesmo que tivesse sido um só álbum, o que prova que mais do que banda desenhada Hergé deixou um personagem excepcional, Tintim.
Continuar a ler A Aventura de Hergé

Encruzilhadas

Viajar é, entre muitas outras coisas, estar de passagem, por isso, o viajante é alguém que tem a possibilidade de ouvir histórias e confissões que de outra maneira não seriam feitas, um confessor ambulante. Um confessor que tem a vantagem de não pertencer a uma teia de relações sociais, ou cumplicidades mundanas, e não é obrigado a guardar segredo.
Continuar a ler Encruzilhadas

The R. Crumb Coffee Table Art Book

Este livro é uma recolha representativa da obra de Crumb até aos anos 90, cada capítulo tem uma introdução escrita pelo próprio Crumb. Se as primeiras introduções são interessantes pelo contexto histórico e pela vida pessoal, a coisa começa a aborrecer quando entramos nos anos 70 e vão-se tornando intoleráveis à medida que avançamos para os anos 90.
Continuar a ler The R. Crumb Coffee Table Art Book

BD: Jogos Humanos (II)

“[…] “Jogos Humanos”, resultado da sinergia de dois talentos em ascensão, Paulo Patrício (argumento) e Rui Ricardo (desenho). Se a história aborda temas polémicos exactamente como devem ser abordados (como se fossem, como são, tão naturais como quaisquer outros), o traço vinca essa naturalidade inocente, usando muito bem o fundo escuro das páginas. “Jogos humanos” é ainda uma lição rara na abordagem da linguagem quotidiana.”

João Ramalho Santos
in Jornal de Letras

BD: Jogos Humanos (I)

“O conjunto tem a eficácia e a densidade de uma “sitcom”, com a frivolidade a mascarar o quotidiano e a reflexão a esconder-se no entrechoque dinâmico das figuras. Embora nem sempre a figuração acompanhe a narrativa. Nota-se alguma rigidez no desenho, como se sente demasiado a ausência de fundos, embora haja bons enquadramentos e páginas intensas, aproveitando na perfeição o fundo negro das páginas.
O carácter, a um tempo, contemporâneo e local é ainda acentuado com a apresentação, à laiad de fundo musical, de um certo Porto, concreto e húmido, com as suas referências noctívagas e geracionais. Bem divertida é ainda a cena em que os autores se autorepresentam enquanto homofóbicos. Todos sem excepção, autores e amigos, cidade íntima e Porto exterior, entram neste jogo humanista.
O tema é a sexualidade, está claro, mas falada, reflectida, digerida, pois o pudor dos autores não permitiu senão, e já no fim, uma “cena de cama”. Tradicional e sem excessos gráficos, apesar do número de parceiros. A investigação não passa aqui pela representação da carne, mas pelo comércio dos corpos que oferecemos uns aos outros em conversa. Ainda que seja apenas à flor da pele.”

João Paulo Cotrim
in O Independente

BD: O Canapé Humano

“Mais três novos títulos da colecção Quadradinho […] “O Canapé Humano”, de Paulo Patrício – um dos fundadores do EIA! e co-editor da fanzine “Cru” – é uma adaptação do conto “The Human Canape” de Will Self, ou como vencer as suas fobias aproveitando o boom económico dos anos 80 (já passaram!).”

in BlitzTexto Não Assinado

Os anos 80 já tinham passado, é verdade, mas faltariam ainda muitos anos até que um livro de Will Self fosse publicado em português…

Pussey!

Daniel Clowes é o narrador omnipresente de Pussey!, encarregando-se, como os espíritos que visitaram Mr. Scrooge na véspera da noite de Natal, de nos mostrar o passado, o presente e o futuro de Dan Pussey, um autor de bd. Assim, a história transporta dentro de si uma moral premonitória e fatalista que terá de ser levada a quem ainda não caiu em desgraça… a Dan Pussey? Não, Daniel Clowes não pretende corrigir Dan Pussey, ele é apenas o meio, a personagem manipulada ao limite, ele é a mensagem para todos os que pretendem seguir carreira como autores de bd.
Continuar a ler Pussey!

BD: Aqui, À Terra (IV)

“Produtos directos do movimento de fanzines em Portugal, os autores desta pequena história são a prova de que a BD de expressão portuguesa não só não está morta, como tem toda a vida pela frente. Sincopada e sóbria na sua urdidura narrativa, esta história de amor “impossível” coloca nos seus devidos termos a relação do corpo com a consciência: aquele é o suporte material que dá sentido ao “aqui e agora” da vida humana. O resto é delírio… ou suicídio.”

Texto Não Assinado
Sem Referência da Publicação