Aqueles Que Me Acompanharam em 2006

Não consegui evitar: estava a olhar para os resultados que a Last.FM vai debitando sobre aquilo que ouço e aproveito um intervalo para escrevinhar sobre alguns singles que me acompanharam ao longo do ano que passou.

Sou, sempre fui, um tipo de singles, não acredito em álbuns, um conceito que nunca consegui aceitar, do qual nunca gostei e que hoje está esgotado. Afinal, o que ficará daqui a uns anos de todas estas bandas que por aí andam? Nada, a não ser singles, claro está.

Sem obedecer a uma ordem, destaco dez, entre tantos outros que gostei e me fartei de ouvir.

reginaspektor

Begin To Hope
Regina Spektor

Exercício crítico que se preze começa por um paradoxo: não é um single, mas um álbum que abre esta lista. Regina Spektor pode até lembrar Feist, erro crasso, porque é de longe muito mais sofisticada na composição e na escrita, coisa que já se adivinhava em Soviet Kitsch e se confirma neste Begin to Hope. Anti-folk, ok, mas sem o toque de R&B, Fidelity, On The Rádio e That Time não seriam os singles que são: cheios, redondos e imaculados.

ferrabylionheart

A Crack In Time
Ferraby Lionheart
Ferraby Lionheart

Sou fã de quem tem um bom nome, só por isso, Ferraby Lionheart mereceu toda a minha atenção. Depois do nome, foram os arranjos singulares, meio pop, meio folk, e depois as letras. Belíssimas. Hesitei entre este tema e Tickets To Crickets, mais óbvio e que me faz chorar como um desalmado. Mas volto a repetir: foi o nome dele que me chamou a atenção.

spektrum

Don’t Be Shy
Fun At The Gymkhana Club
Spektrum

Esta coisa do electrofunk [ou electrohop ou qualquer outra porcaria de etiqueta que alguém se lembre de inventar] é entusiasmante e os Spektrum são do mais competente que há a fazê-lo. Prova disso é este Don’t Be Shy, altamente dançável e a roçar o sexualmente explícito. Depois desta, só mesmo Emergency do Passions é que me fez saltar para cima da cadeira.

bookashade

Hallelujah USA
Movements
Booka Shade

Nunca percebi a utilidade de um subwoofer, mas depois de ouvir Hallelujah USA [que faz reverbar todos os vidros da minha casa], juro que estava capaz de ter um no carro e girar por aí sem parar. Isto se eu tivesse carro e fosse um suburbano dado a essa libertação de espírito que é o tunning.

canseidesersexy

Let’s Make Love And Listen Death From Above
CSS
Cansei de Ser Sexy

O estilo é tudo. Nisso estou com os Cansei de Ser Sexy. E este Let’s Make Love And Listen Death From Above tem precisamente aquilo que faz de qualquer música um grande single: esgota-se ao fim de uma audição, mas enquanto durou, foi tão bom, que só apetece repetir.

babyshambles

The Blinding
The Blinding
Babyshambles

Ouço-o todos os dias pela manhã. Juro que é assim. E este nem é um grande-grande single, apenas um grande single dos Babyshambles. A questão é simples: todo o adolescente que se preza deveria arrancar da parede a foto do Che, ou de qualquer outro revolucionário secular e pingalheiro, e colocar uma do Peter Doherty. Um dia destes, se estiver para aí virado, ainda lhe escrevo uma ode, que o homem merece.

beirut

Elephant Gun
Lon Gisland
Beirut

Tenho quase a certeza que é um banjo que abre esta canção, depois há uma voz trémula, e ainda, um lado operático que me enchem as medidas. É um dos grandessíssimos singles desta colheita, muitos pontos acima do celebrado Postcards From Italy de Gulag Orkestar, coisa para agradar norte-americanos que nunca saíram de casa.

catpower

Could We
The Greatest
Cat Power

Sou fã de bons nomes, já disse, por isso tive uma enorme resistência a Cat Power. O mesmo não aconteceu com a música e voz dela, dela Charlyn Marshall, nome bem menos piroso que Cat Power, que de resto é abreviatura de marca de maquinaria pesada. Enfim, manias à parte, Could We tem um irresistível toque de R&B pelo meio e é de facto poderoso.

gnarlsbarkley

Crazy
St. Elsewhere
Gnarls Barkley

Seria uma injustiça não destacar Crazy, até por razões históricas, foi o primeiro single a chegar ao topo da tabela inglesa via downloads [isto muito antes de sair o disco], depois sou um fã absoluto de Danger Mouse, e para acabar, uma grande música resiste a tudo e a versão acústica da Nelly Furtado é uma prova disso. E já me esquecia: é claro que quem aparece vestido de “droog” em fotos de promoção e edita um álbum com nome de série televisiva de culto, merece toda a consideração.

Outros grandessíssimos singles que ficaram de fora, crueldade!, sobre os quais gostaria de escrever, mas não tenho tempo:

Lloyd, I’m Ready To Be Heartbroken e If Looks Could Kill, Camera Obscura; SexyBack, Justin Timberlake; Plus 81, Deerhoof, Un Gars Fragile, Prototypes; Rivers, Sleeping States; We Used To Vacation, Cold War Kids; Transgressors, Magas; Over And Over, Hot Chip; Kick Push, Lupe Fiasco; Brown Girl, Jurassic 5; 100.000 Thoughts, Tap Tap; Black Dirty, Bumblebeez; A Conta do Samba, Tita Lima; Aka M80 The Wolf, Portugal, The Man; [Far From] Home, Tiga; Drugs in My Body, Thieves Like Us; Fuego, Pitbull; Bouncy Ball, Ladyfuzz; Magic Touch, Kudu; TeleRAD, Gay Against You; This Time, DJ Shadow; True Skool, Coldcut; Sons & Daughters, The Decemberists; Wolf Like Me, TV On The Radio; Yah!, Buraka Som Sistema; Smash Your Head, Girl Talk; Yours To Keep, Teddybears, Fraud In The 80s, Mates Of State; You Are What You Love, Jenny Lewis With The Watson Twins; Artifact, DJ Shadow; I Just Came To Tell You That I’M Going [Je Suis Venu Te Dire Que Je M’En Vais], Jarvis Cocker & Kid Loco, e Love or Hate Me, Lady Sovereign.

2 pensamentos em “Aqueles Que Me Acompanharam em 2006”

  1. Não há dúvida de que todas as músicas aqui citadas, inclusive as não comentadas, são dignas de críticas e homenagens. Não conheço tudo o que foi dito, mas, entre as canções que me são familiares, gosto de todas.

    O problema dos singles, no entanto, é que, não raramente, a letra perde-se entre as notas de uma melodia agradável. Esforço-me no sentido de não me deixar levar somente pelas músicas (muitas vezes) comerciais: tanto Hotel Song (cuja composição não é nada desprezível, apesar de ser mais conhecida pelo fraseado musical) quanto Lady me são ótimas,
    Porém, ainda não consegui absorver totalmente o lirismo de Regina Spektor, bem como o de vários outros artistas aí mencionados. Mas Spektor (com todos os seus álbuns) anda sendo a minha prioridade ultimamente, e, infelizmente, por mais que eu tente, suas letras ainda têm um conteúdo incerto para mim. Gostaria muito, muito mesmo, de entendê-la por completo em sua genialidade e agudeza de espírito, que sei que existem, mas que por enquanto não posso decifrar.

    Pelas tuas análises, há de se ver que és suficientemente qualificado para, quem sabe, fazer corretas interpretações e valorizar adequadamente a obra de Regina. Não queres me ajudar com isso? Preenchi os campos acima com alguns meios de contato (e-mail, last.fm). De repente, poderíamos trocar algumas idéias, o que achas? Espero que ainda leias este comentário, e aguardo resposta. Tenha um bom dia!

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