Olá, Árvore!

Talvez seja isto aquilo que queremos da internet das coisas: em Melbourne, na Austrália, foram criados números de identificação, assim como endereços de e-mail, para as árvores. A medida pretende que qualquer um pudesse enviar uma mensagem a indicar um problema com determinada árvore, como um galho partido ou secura das raízes.

A surpresa é que para além disso, as pessoas começaram também a enviar mensagens pessoais às próprias árvores, que vão desde um simples olá a perguntas sobre política e actualidade. E do outro lado, as árvores começaram a responder. Ou melhor, os técnicos municipais por elas. A notícia é do The Atlantic, onde são reproduzidas muitas mensagens, o meu espanto foi para esta enviada a um cedro vermelho ocidental.

Olá Árvore, estás preocupada com a possibilidade de seres afectada pela crise da dívida grega? Devem permitir que a Grécia fique na União Europeia?

Cumprimentos,
Troy

A resposta do cedro vermelho não tardou, começa com um trocadilho, e pode ser lida aqui.

Iogurte Grego?!

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Tenho a impressão que muitos de nós, e tantos outros europeus, experimentaram o iogurte grego à custa das más notícias sobre o país e campanhas publicitárias constantes, entre outras marcas, da Danone e Nestlé. Abrindo um, logo pela textura, será tudo, menos o legítimo ou sequer uma boa imitação.

O original é denso, muito denso. Enfiando uma colher, poderia levantá-la, abanar com força, que o iogurte continuaria lá. É amargo e ligeiramente salgado de sabor, quanto mais não seja, porque tradicionalmente é de ovelha e não de vaca. Dito de outra maneira: pensem nele mais como um queijo fresco, acabado de bater, do que outra coisa qualquer. Daí que combine muito bem com mel, regado no topo e a gosto, sendo que uma ou duas colheres de boa compota também cumprem o mesmo papel, mas não é muito vulgar. É mel e ponto final. Também é versátil, tanto pode aparecer numa entrada, como o tzatziki, uma pasta de iogurte, pepino e alho regada com azeite; como barrado num pedaço de paximadi (um pão muito seco), com tomate, oregãos e um fio de, claro está, azeite; ou compor uma salada, como a pantzarosaláta ((Efharisto para poli, Caterina!)), feita com beterraba envolvida em iogurte, maionese e alho.

Quando disse taça, pequei pelo tamanho, porque os gregos comem iogurte em tações. E com muito gosto. Aliás, num frigorífico de uma casa grega, é mais fácil encontrar um balde de 1 quilo de iogurte do que uma embalagem pequena. As duas marcas mais populares, por lá, são a a Delta e a Fage (diz-se faieh, é um acrónimo, são as primeiras letras dos nomes dos donos, mas também significa “come”), sendo que ambas arrancaram originalmente em Atenas no início do séc. XX. Por cá, encontram-se à venda em algumas mercearias finas e no El Corte Inglés.

De resto, aquilo mais o caracteriza é ter pouco ou nenhum soro (aquele líquido que cobre o topo), quase todo ele escorrido durante a feitura, por isso mesmo, o nome dado pelos gregos a este tipo de γιαούρτι (iogurte) é στραγγιστό (diz-se stranghistó), que significa precisamente “bem escorrido”.

Ou seja, até no nome, o iogurte grego que anda por aí não é bem o iogurte dos gregos.

Malakas!