Mercearia Indiana

Mercearia Indiana, Porto

O Ali Qureshi gere e atende na melhor mercearia indiana da baixa do Porto, na Rua Cimo de Vila, aquela das tenebrosas casas de alterne, na Batalha.

Tem excelente e imensa variedade de especiarias, sementes, picles e temperos, uns difíceis de encontrar, outros que nem sabíamos que existiam e têm nome impronunciável. Tudo a bom preço, ainda que por vezes só em sacos de um quilo. Também lá encontram farinhas, arroz, óleos, paparis (i.e. papaduns), e outras boas surpresas, como pasta de menta, folhas frescas de caril e quiabo grande. Não fujam às chamuças de vegetais, congeladas, mas feitas por uma senhora que vive por ali perto. Sim, é aqui que os restaurantes indianos da cidade, mas também africanos, fazem compras.

Aos sábados e domingos de manhã é quando há mais movimento, e é bom, num tempo de tantas rupturas e preconceitos, ver quem entra cumprimentar a seu modo: “As-Salam Aleikoum!”, “Namaste!” ou “Bom dia! Kuma di kurpo?”, sem que ninguém fique particularmente incomodado com isso. Visito a mercearia com regularidade, para fazer compras e cumprimentar quem entra, mas também pelas embalagens. Terapia visual, suponho.

O Ali não tem Facebook, porque não tem “tempo para isso”, uma boa resposta.

Talho Halal

paulo-patricio-talho-halal-porto

Fica na Rua do Cativo, ali mesmo atrás do Teatro Nacional São João, entre um barbeiro, e como não poderia deixar de ser, uma casa de alterne.

Já existe há uns anos e passou por várias mãos, agora pertence a Abdul Kareem. O facto de ser um talho halal, não há carne de porco e não há sangue, não deve ser encarado com preconceito. O mais importante aqui é o corte da carne, muito preciso, o que dá um jeito tremendo para alguns pratos, sobretudo africanos ou indianos, que pedem carne aos pedacinhos. Consegue-se o frango em 16, 18, 20 ou 22 peças, pequeninas e exemplarmente cortadas. Coisa rara, mesmo em talhos nacionais. Além disso, o Kareem é um excelente conversador, conhece um pouco de tudo e de todos os lados. Alguma dúvida sobre um produto em particular ou que desconhecem, perguntem sem hesitar, porque ainda que falhe uma ou outra palavra em português, ele explica-vos que aqui é usado para isto e acolá para aquilo. Se olharem para dentro do expositor de frios, encontram iogurtes líquidos, como o labneh ou o ayran, e algumas variedades de azeitonas, temperadas ao estilo marroquino e vendidas a peso. No topo do expositor: doces tradicionais, marroquinos e turcos, assim como potes de mel, também ele de Marrocos. Há ainda, nas prateleiras, algum sortido de especiarias e temperos que fazem saltar a língua.

O inglês da assinatura “Our Mission: Coutamer’s [sic] Satisfaction Is Our Satisfaction” que encontram no site pode ser imperfeito, mas acreditem, é seguido à risca pelo Kareem.