Informar, Educar, Entreter

Public-Service-Broadcasting

Public Service Broadcasting: um guitarrista, um baterista, maquinaria com sons e imagens de propaganda e arquivos de serviços públicos de radiodifusão. Nada de novo, mas muito bem conseguido. Vale a pena espreitar todos os vídeos (alguns deles comentados), incluindo os que são ao vivo. Hoje estava a ler mais um artigo sobre o estado da União Europeia e lembrei-me deles, porque dão a ideia de uma Inglaterra que passou e de uma Europa que já foi. No entanto.

Public Service Broadcasting: a guitar player, a drummer, sounds and footage from propaganda and public service archives. Nothing new, but very well executed. Check out their YouTube channel (some with audio commentary), and the live shows. Today I was reading (another) article on the European Union and thought of them, because these videos give an idea of a gone-by era, both British and European. But.

Como Afiar Um Lápis

how-to-sharpen-a-pencil-afiar-lapis

Esta curta-metragem com o cartunista David Rees é uma sátira, mas afiar lápis não deixa de ser um assunto sério. Fica aqui uma dica que não é mencionada na curta: só conseguem afiar um lápis, com facilidade e excelentes resultados, se não o deixarem cair.

A explicação é simples, quando o lápis cai, a grafite parte ou fissura, por isso é que quando estamos a afiá-lo (ou a usar) a ponta quebra com frequência. Ter uma boa aguça (apontador no Brasil) também ajuda, tanto para lápis de grafite como para os de cor, porque a firmeza e gordura dos materiais é diferente. Desde há muitos anos que uso uma fiel e segura Möbius+Ruppert, que é um bocadinho cara, mas compensa largamente. Uma faca bem afiada ou X-Acto são outras duas opções, mas como diz a sabedoria popular, mais vale um lápis mal afiado do que um dedo cortado.

Excellent short with David Rees. A satire, but sharpen pencils is a serious matter. And I think he missed something: you can only sharpen a pencil, easily and with excellent results, if you don’t let it fall down. Because when a pencil falls down the graphite core breaks or fissures. That’s why sometimes when you sharpen a pencil (or when you are drawing) the tip keeps breaking down. Simple as that.
Having a good pencil sharpener helps, and should be different for graphite or color pencil, since the core materials don’t have the same properties. I use a faithful and secure Möbius+Ruppert. A bit expensive, yes, but absolutely worth it. A very sharp knife or a X-Acto knife are other good options. But beware, newbies, you may cut your fingers off.

Mercearia Indiana

Mercearia Indiana, Porto

O Ali Qureshi gere e atende na melhor mercearia indiana da baixa do Porto, na Rua Cimo de Vila, aquela das tenebrosas casas de alterne, na Batalha.

Tem excelente e imensa variedade de especiarias, sementes, picles e temperos, uns difíceis de encontrar, outros que nem sabíamos que existiam e têm nome impronunciável. Tudo a bom preço, ainda que por vezes só em sacos de um quilo. Também lá encontram farinhas, arroz, óleos, paparis (i.e. papaduns), e outras boas surpresas, como pasta de menta, folhas frescas de caril e quiabo grande. Não fujam às chamuças de vegetais, congeladas, mas feitas por uma senhora que vive por ali perto. Sim, é aqui que os restaurantes indianos da cidade, mas também africanos, fazem compras.

Aos sábados e domingos de manhã é quando há mais movimento, e é bom, num tempo de tantas rupturas e preconceitos, ver quem entra cumprimentar a seu modo: “As-Salam Aleikoum!”, “Namaste!” ou “Bom dia! Kuma di kurpo?”, sem que ninguém fique particularmente incomodado com isso. Visito a mercearia com regularidade, para fazer compras e cumprimentar quem entra, mas também pelas embalagens. Terapia visual, suponho.

O Ali não tem Facebook, porque não tem “tempo para isso”, uma boa resposta.

Talho Halal

paulo-patricio-talho-halal-porto

Fica na Rua do Cativo, ali mesmo atrás do Teatro Nacional São João, entre um barbeiro, e como não poderia deixar de ser, uma casa de alterne.

Já existe há uns anos e passou por várias mãos, agora pertence a Abdul Kareem. O facto de ser um talho halal, não há carne de porco e não há sangue, não deve ser encarado com preconceito. O mais importante aqui é o corte da carne, muito preciso, o que dá um jeito tremendo para alguns pratos, sobretudo africanos ou indianos, que pedem carne aos pedacinhos. Consegue-se o frango em 16, 18, 20 ou 22 peças, pequeninas e exemplarmente cortadas. Coisa rara, mesmo em talhos nacionais. Além disso, o Kareem é um excelente conversador, conhece um pouco de tudo e de todos os lados. Alguma dúvida sobre um produto em particular ou que desconhecem, perguntem sem hesitar, porque ainda que falhe uma ou outra palavra em português, ele explica-vos que aqui é usado para isto e acolá para aquilo. Se olharem para dentro do expositor de frios, encontram iogurtes líquidos, como o labneh ou o ayran, e algumas variedades de azeitonas, temperadas ao estilo marroquino e vendidas a peso. No topo do expositor: doces tradicionais, marroquinos e turcos, assim como potes de mel, também ele de Marrocos. Há ainda, nas prateleiras, algum sortido de especiarias e temperos que fazem saltar a língua.

O inglês da assinatura “Our Mission: Coutamer’s [sic] Satisfaction Is Our Satisfaction” que encontram no site pode ser imperfeito, mas acreditem, é seguido à risca pelo Kareem.

Imaculada Conceição

Mi bebida preferida es el dry martini. Dado el papel primordial que ha desempeñado el dry martini en esta vida que estoy contando, debo consagrarle una o dos páginas.
[…] en Norteamérica se decía que un buen dry martini debe parecerse a la concepción de la Virgen. Efectivamente, ya se sabe que, según santo Tomás de Aquino, el poder generador del Espíritu Santo pasó a través del himen de la Virgen “como un rayo de sol atraviesa un cristal, sin romperlo”. Pues el Noilly Prat, lo mismo. Pero a mí me parece una exageración.
Otra recomendación; el hielo debe ser muy duro, para que no suelte agua. No hay nada peor que un martini mojado.
Permítaseme dar mi fórmula personal, fruto de larga experiencia, con la que siempre obtengo un éxito bastante halagüeño.
Pongo en la nevera todo lo necesario, copas, ginebra y coctelera, la víspera del día en que espero invitados. Tengo un termómetro que me permite com probar que el hielo está a unos veinte grados bajo cero.
Al día siguiente, cuando llegan los amigos, saco todo lo que necesito. Primeramente, sobre el hielo bien duro echo unas gotas de Noilly Prat y media cucharadita de café, de angostura, lo agito bien y tiro el líquido, conservando únicamente el hielo que ha quedado, levemente perfumado por los dos ingredientes. Sobre ese hielo vierto la ginebra pura, agito y sirvo. Eso es todo, y resulta insuperable.

A receita de Luis Buñuel para um bom dry martini, numa passagem retirada do livro de memórias Mi Último Suspiro, pdf aqui, e também podemos vê-lo a preparar um neste excerto de A Propósito de Buñuel, documentário de José Luis López-Linares e Javier Rioyo.
Nunca experimentei esta versão do Buñuel, de qualquer modo, sempre que dou um salto ao grande Javier de Las Muelas, percebo bem a parte da Imaculada Conceição.

“I’m Calling For Humanism”

I’m really not calling for an end to capitalism; I’m calling for humanism.
[…]
Money should be spent trying out concepts that shatter current structures and systems that have turned much of the world into one vast market. Is progress really Wi-Fi on every street corner? No. It’s when no 13-year-old girl on the planet gets sold for sex. But as long as most folks are patting themselves on the back for charitable acts, we’ve got a perpetual poverty machine.
It’s an old story; we really need a new one.

A parte destacada negrito sobre internet e desenvolvimento na crónica de Peter Buffett, que de certeza não anda a brincar aos pobrezinhos, fez-me lembrar uma passagem desta excelente entrevista a William Gibson.

What I mainly see is the distribution of it. The poorer you are, the poorer your culture is, the less cutting-edge technology you’re liable to encounter, aside from the Internet, the stuff you can access on your cell phone.
[…]
I think we’re past the computer age. You can be living in a third-world village with no sewage, but if you’ve got the right apps then you can actually have some kind of participation in a world that otherwise looks like a distant Star Trek future where people have plenty of everything. And from the point of view of the guy in the village, information is getting beamed in from a world where people don’t have to earn a living. They certainly don’t have to do the stuff he has to do everyday to make sure he’s got enough food to be alive in three days.

Entretanto, algures numa montanha no Utah