A Aventura de Hergé

A figura e a obra de Hergé é de incontestável importância para a história da bd europeia e mundial. Qualquer autor terá pelo menos uma opinião sobre o estilo, as histórias e personagens que Hergé deixou como legado, seja qual for essa opinião, ela será favorável ou apaixonada. Por outro lado, são poucos aqueles que nunca leram as aventuras de Tintim, mesmo que tivesse sido um só álbum, o que prova que mais do que banda desenhada Hergé deixou um personagem excepcional, Tintim.
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Encruzilhadas

Viajar é, entre muitas outras coisas, estar de passagem, por isso, o viajante é alguém que tem a possibilidade de ouvir histórias e confissões que de outra maneira não seriam feitas, um confessor ambulante. Um confessor que tem a vantagem de não pertencer a uma teia de relações sociais, ou cumplicidades mundanas, e não é obrigado a guardar segredo.
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The R. Crumb Coffee Table Art Book

Este livro é uma recolha representativa da obra de Crumb até aos anos 90, cada capítulo tem uma introdução escrita pelo próprio Crumb. Se as primeiras introduções são interessantes pelo contexto histórico e pela vida pessoal, a coisa começa a aborrecer quando entramos nos anos 70 e vão-se tornando intoleráveis à medida que avançamos para os anos 90.
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BD: Jogos Humanos (II)

“[…] “Jogos Humanos”, resultado da sinergia de dois talentos em ascensão, Paulo Patrício (argumento) e Rui Ricardo (desenho). Se a história aborda temas polémicos exactamente como devem ser abordados (como se fossem, como são, tão naturais como quaisquer outros), o traço vinca essa naturalidade inocente, usando muito bem o fundo escuro das páginas. “Jogos humanos” é ainda uma lição rara na abordagem da linguagem quotidiana.”

João Ramalho Santos
in Jornal de Letras

BD: Jogos Humanos (I)

“O conjunto tem a eficácia e a densidade de uma “sitcom”, com a frivolidade a mascarar o quotidiano e a reflexão a esconder-se no entrechoque dinâmico das figuras. Embora nem sempre a figuração acompanhe a narrativa. Nota-se alguma rigidez no desenho, como se sente demasiado a ausência de fundos, embora haja bons enquadramentos e páginas intensas, aproveitando na perfeição o fundo negro das páginas.
O carácter, a um tempo, contemporâneo e local é ainda acentuado com a apresentação, à laiad de fundo musical, de um certo Porto, concreto e húmido, com as suas referências noctívagas e geracionais. Bem divertida é ainda a cena em que os autores se autorepresentam enquanto homofóbicos. Todos sem excepção, autores e amigos, cidade íntima e Porto exterior, entram neste jogo humanista.
O tema é a sexualidade, está claro, mas falada, reflectida, digerida, pois o pudor dos autores não permitiu senão, e já no fim, uma “cena de cama”. Tradicional e sem excessos gráficos, apesar do número de parceiros. A investigação não passa aqui pela representação da carne, mas pelo comércio dos corpos que oferecemos uns aos outros em conversa. Ainda que seja apenas à flor da pele.”

João Paulo Cotrim
in O Independente

BD: O Canapé Humano

“Mais três novos títulos da colecção Quadradinho […] “O Canapé Humano”, de Paulo Patrício – um dos fundadores do EIA! e co-editor da fanzine “Cru” – é uma adaptação do conto “The Human Canape” de Will Self, ou como vencer as suas fobias aproveitando o boom económico dos anos 80 (já passaram!).”

in BlitzTexto Não Assinado

Os anos 80 já tinham passado, é verdade, mas faltariam ainda muitos anos até que um livro de Will Self fosse publicado em português…

Pussey!

Daniel Clowes é o narrador omnipresente de Pussey!, encarregando-se, como os espíritos que visitaram Mr. Scrooge na véspera da noite de Natal, de nos mostrar o passado, o presente e o futuro de Dan Pussey, um autor de bd. Assim, a história transporta dentro de si uma moral premonitória e fatalista que terá de ser levada a quem ainda não caiu em desgraça… a Dan Pussey? Não, Daniel Clowes não pretende corrigir Dan Pussey, ele é apenas o meio, a personagem manipulada ao limite, ele é a mensagem para todos os que pretendem seguir carreira como autores de bd.
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BD: Aqui, À Terra (IV)

“Produtos directos do movimento de fanzines em Portugal, os autores desta pequena história são a prova de que a BD de expressão portuguesa não só não está morta, como tem toda a vida pela frente. Sincopada e sóbria na sua urdidura narrativa, esta história de amor “impossível” coloca nos seus devidos termos a relação do corpo com a consciência: aquele é o suporte material que dá sentido ao “aqui e agora” da vida humana. O resto é delírio… ou suicídio.”

Texto Não Assinado
Sem Referência da Publicação

BD: Aqui, À Terra (III)

“O sexto Quadradinho volta a ter a assinatura de um autor português, ou, melhor dizendo, de dois, já que tem argumento de Paulo Patrício e desenhos de Mário Moura. Dois autores com rodagem feita em concursos que assinam uma BD que nos prova que o amor não conhece barreiras mesmo quando o ser amado é uma sereia e, para a acompanhar, é necessário abandonar a alma, a única coisa que nos prende “aqui, à terra”.

in secção BoletimTexto Não Assinado
Sem Referência da Publicação

BD: Aqui, À Terra (II)

“[…] Paulo Patrício e Mário Moura assinam um dos títulos de mais profundo e sentido conteúdo social, uma enigmática obsessão que nos deixa um la-estar sobre teias sem sentido em que tantos se deixam enredar. Paulo Patrício e Mário Moura, ambos também na casa dos 20, assinam o último título (até agora), o mais poético e onírico, entre o psicológico e o fantástico, com opções estéticas e narrativas que se integram, com uma acentuada maturidade, em correntes contemporâneas representadas, por exemplo, pela colecção de BD da Autrement.”

João Paiva Boléo
in Expresso